Resumo
Revisão científica sobre os impactos da privação paterna no desenvolvimento neurológico, emocional e comportamental infantil.
Introdução
A presença paterna constitui um dos pilares estruturantes do desenvolvimento infantil. Estudos contemporâneos em neurociência clínica demonstram que a ausência prolongada da figura paterna está associada a alterações significativas em circuitos cerebrais ligados à regulação emocional, ao controle de impulsos e à formação de vínculos.
Esta revisão integra achados das neurociências, da pediatria e da psicologia do desenvolvimento para compreender, de modo sistêmico, as repercussões físicas e mentais da privação paterna em crianças.
Metodologia
Revisão integrativa de literatura indexada (PubMed, Scielo, Web of Science) entre 2005 e 2024, considerando estudos clínicos, neuroimagem funcional e observações longitudinais sobre crianças e adolescentes em contextos de privação paterna.
Resultados
Os dados convergem para alterações em áreas pré-frontais, sistema límbico e eixo HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal), com repercussões em ansiedade, depressão infantil, dificuldades escolares, transtornos de conduta e maior vulnerabilidade ao uso de substâncias na adolescência.
Complicações físicas observadas incluem alterações no sono, no apetite, no sistema imunológico e maior incidência de queixas psicossomáticas.
Discussão
A privação paterna não é um evento isolado: insere-se em uma rede de fatores sistêmicos que envolvem a dinâmica familiar, o contexto social e os recursos emocionais da criança. A neurociência clínica aponta a plasticidade cerebral como fator protetivo quando há intervenção precoce e suporte vincular adequado.
Conclusão
A compreensão sistêmica da privação paterna, integrando neurociência, clínica e contexto, é fundamental para a construção de estratégias de prevenção, diagnóstico e cuidado em saúde mental infantil.
Referências
- Furlanetto Jr., M. L. (2025). Neurociência Clínica: Complicações Físicas e Mentais em Crianças Privadas da Paternidade. JBINO, 14(3).
- Lamb, M. E. (2010). The Role of the Father in Child Development. Wiley.
- Teicher, M. H. et al. (2016). The effects of childhood maltreatment on brain structure. Nat Rev Neurosci.